Um print quase sempre mostra mais do que a mensagem que você queria provar: nomes de contatos, e-mails, telefones, fotos de perfil, links com códigos privados. Esta ferramenta lê o print no seu aparelho para sugerir caixas, cobre tudo com tarja preta e grava um arquivo novo, o que evita o problema de 2023 em que editores de print do Google Pixel e do Windows deixavam a parte cortada escondida dentro do arquivo.
O que um print entrega
O print virou a forma de provar as coisas: a resposta atravessada no grupo da família, o comprovante do Pix, o erro no app do banco, a conversa com a loja que não entregou. Como ele captura a tela inteira, também captura tudo o que está em volta do que você queria mostrar:
- Conversas no WhatsApp: o nome e a foto da outra pessoa, o número dela quando não está nos seus contatos, os nomes dos outros participantes do grupo, prévias de outras conversas.
- Comprovantes e apps de banco: nome de quem pagou e de quem recebeu, banco, parte do documento, chave Pix, saldo, código da transação.
- E-mail: endereços de quem enviou e de quem recebeu, cópias, assinaturas com telefone e cargo, assuntos de outras mensagens da lista.
- Redes sociais: nomes de usuário, fotos de perfil, número de seguidores que facilita achar a conta, comentários de quem nunca concordou em aparecer.
- Compras: número do pedido, endereço de entrega, últimos dígitos do cartão.
- O navegador: a barra de endereço (links de redefinição de senha, de documentos compartilhados e de algumas sessões carregam códigos secretos), outras abas abertas, nomes de favoritos, a foto da conta conectada.
- O próprio celular: a notificação de outro app que apareceu bem na hora errada.
Cortar o print resolve as bordas. O que está no meio da tela precisa ser coberto.
Passo a passo
- Tire o print como sempre e traga a imagem para cá: botão de arquivo, arrastar e soltar ou, no celular, a galeria de fotos.
- Toque em Encontrar textos e códigos. A página lê o print no aparelho e põe caixas sobre os e-mails, telefones, números de cartão, números longos e QR codes que reconhece. Na primeira vez, ela baixa o leitor deste site e mostra o tamanho antes.
- Marque à mão o que o leitor não tem como saber que é privado: nomes, usuários, fotos de perfil, endereços, chave Pix, números de pedido e de conta, a barra de endereço, outras abas.
- Confira se Cobrir com continua em Tarja preta. Texto pixelado ou desfocado pode ser remontado.
- Toque em Exportar esta imagem, olhe a cópia em tamanho real e salve ou compartilhe.
O que o leitor encontra sozinho
O botão roda um motor de OCR (Tesseract) dentro do navegador, que transforma o print em palavras com posição, e depois aplica regras simples:
- E-mails: tudo no formato
nome@example.com. - Telefones: grupos de algarismos com os tamanhos e separadores típicos de número de telefone, com ou sem código do país.
- Números de cartão: de 13 a 19 algarismos que passam na verificação de Luhn usada pelos cartões de pagamento, o que descarta a maioria dos números de pedido e horários.
- IBAN e outros números longos: contas bancárias internacionais (conferidas pelos dígitos de controle) e qualquer sequência de oito algarismos ou mais, o que pega muitos números de conta, de cliente e de documento.
- QR codes e outros códigos quadrados: um leitor de códigos acha QR, Data Matrix, Aztec e PDF417, já que um código pode levar um link, a senha do Wi-Fi, um ingresso ou um pagamento.
Com os formatos brasileiros, na prática
As regras foram escritas para formatos internacionais. Aplicadas a números no padrão brasileiro, e supondo que o OCR leu os algarismos certo, elas se comportam assim:
| Dado no print | O que acontece |
|---|---|
| CPF com pontos e hífen, ou só algarismos | Costuma ganhar caixa (às vezes com o rótulo «número de telefone») |
| Telefone fixo como (21) 3456-7890 | Ganha caixa inteira, com o DDD |
| Celular como (11) 98765-4321 | A caixa cobre o número, mas pode deixar de fora o DDD e o +55: confira e aumente a caixa |
| E-mail usado como chave Pix | Ganha caixa |
| Chave Pix aleatória (letras e números com hífens) | Não é detectada: cubra à mão |
| Agência e conta com poucos dígitos | Não são detectadas: cubra à mão |
| QR code de cobrança Pix | Ganha caixa como código |
| Nomes de pessoas | Nunca são detectados: cubra à mão |
O leitor usa dados de idioma em inglês. Números e e-mails saem bem, mas palavras com acento podem ser lidas com erros, o que reforça a regra: trate as sugestões como um começo e olhe a imagem inteira antes de exportar. Prints são o melhor caso para OCR, com texto nítido, reto e de alto contraste; texto pequeno ou cinza-claro, texto sobre foto, nomes cheios de emoji e fontes incomuns podem escapar.
Por que texto pixelado em print é um ponto fraco
O texto de um print usa um punhado de fontes de sistema em tamanhos padronizados, que é exatamente o que as ferramentas de reconstrução precisam. O Depix, publicado como prova de conceito em 2020, recupera texto de prints pixelados com um filtro de caixa simples: gera textos candidatos na mesma fonte, pixela cada um e compara os blocos. O autor avisa que o método falha quando a imagem é comprimida depois, mas não dá para contar com isso. Uma tarja preta não deixa nada para comparar.
Os prints cortados que vazavam, em 2023
Dois editores de print muito usados chegaram a guardar as partes que você tinha tirado:
- Editor Markup do Google Pixel (CVE-2023-21036, apelidado de «aCropalypse»): depois de cortar ou riscar um print e salvar por cima do original, o arquivo não era encurtado, e dados da imagem original ficavam depois do fim da nova. Surgiram ferramentas que recuperavam parte da área cortada. O Google corrigiu na atualização do Pixel de março de 2023.
- Ferramenta de Captura do Windows e Recorte e Esboço (CVE-2023-28303): o mesmo erro no Windows 10 e 11, corrigido pela Microsoft em 2023.
Prints feitos e compartilhados antes dessas correções ainda podem carregar a sobra. Passar esses arquivos por aqui gera um arquivo novo, sem essa sobra: a exportação pinta numa tela nova só o que está visível e codifica uma imagem nova, então não há de onde vir dado escondido do arquivo antigo.
O que muda no arquivo exportado
- Cada caixa vira um bloco preto opaco, fundido aos pixels.
- Os dados escondidos do arquivo original não vêm junto. Prints carregam menos metadados que fotos de câmera, mas alguns trazem o modelo do aparelho, o software e o horário de criação, e prints editados podem ter anotações do editor ou sobras como as descritas acima. Nada disso é copiado.
- A resolução continua a mesma. Prints de rolagem muito compridos aparecem reduzidos no editor (para uns 2.048 px de altura), mas são salvos em tamanho real; quando o navegador não consegue montar uma imagem tão alta, a cópia é salva com 4.096 px de altura e a página avisa.
Prints aceitos
- PNG, JPEG e WebP, que é como celulares e computadores salvam prints. Prints em HEIC abrem no Safari; os outros navegadores pedem para converter antes.
- Funciona nas versões atuais de Chrome, Edge, Firefox e Safari, no Windows, macOS, Linux, Android, iPhone e iPad.
- Prints de rolagem funcionam; os muito altos são os que podem cair na redução de tamanho.
- Gravações de tela (vídeo) não são aceitas.
O print não sai do seu aparelho
Abrir o print aqui lê o arquivo para dentro da aba; o OCR e o leitor de códigos rodam na aba; a cópia final espera na memória até você baixar. O primeiro toque em Encontrar textos e códigos baixa deste site os arquivos de programa dos leitores, e esses pedidos não levam nenhum pedaço do seu print. Feche a aba e as cópias da página desaparecem.
Detalhes técnicos
O motor de OCR é o tesseract.js com dados do idioma inglês, e os códigos quadrados são encontrados com o ZXing compilado para WebAssembly; os dois ficam hospedados neste site em versões fixas. O editor converte as caixas da prévia para os pixels originais e codifica uma imagem nova. Quer conferir você mesmo que nenhum pedido leva o seu print? Siga o roteiro com as ferramentas de desenvolvedor na página de metodologia. Para fotos que não são prints, com rostos de gente, a página desfocar rosto tem um detector próprio.
Perguntas frequentes
O que devo esconder num print de conversa?
Nomes e fotos de perfil de todo mundo além de você (a menos que tenham concordado), números de telefone, prévias de outras conversas e qualquer trecho de mensagem que identifique uma terceira pessoa, como endereço ou local de trabalho.
O leitor acha nomes?
Não. Só por regras não dá para distinguir um nome de uma palavra comum, então nomes precisam ser marcados à mão. O leitor cobre e-mails, telefones, números de cartão, IBAN, sequências longas de algarismos e códigos do tipo QR.
Alguém consegue recuperar o que eu cobri?
Não, se você usou a tarja preta: o arquivo exportado contém só o bloco. Texto pixelado ou desfocado em print é alvo conhecido de ferramentas de reconstrução.
Cortar o print já não basta?
Cortar tira as bordas, e num editor com defeito nem isso era seguro. Aqui a exportação sempre grava um arquivo novo a partir do que está visível, então nem sobras de um corte anterior nem o que você cobriu podem ficar escondidos nele.
O OCR envia o meu print?
Não. O reconhecimento acontece dentro do navegador, com um motor baixado deste site; o print em si não vai para lugar nenhum.
Por que esconder a barra de endereço?
Links de redefinição de senha, de arquivos compartilhados e de alguns logins carregam códigos secretos no endereço. Quem consegue ler o link inteiro pode conseguir abri-lo.
Posso usar print com tarja como prova?
Esta página não dá orientação jurídica. Uma precaução que vale para qualquer caso: guarde sempre o original intacto e cubra uma cópia, nunca o único arquivo que você tem.
Fontes
Consultadas em 11/10/2026.
- CVE-2023-21036 no National Vulnerability Database: a falha de truncamento do Markup no Pixel.
- CVE-2023-28303 no National Vulnerability Database: a falha da Ferramenta de Captura.
- Depix, prova de conceito para despixelizar prints: o método e os limites declarados pelo autor.
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